MARIA NORDESTINA

Maria não tem dita
Tem caganita
Maria não tem sorte
Só lenços pretos
Maria não tem caminho
Nem rumo certo
Não tem futuro Maria
Maria não tem um amor
Nem aconchego
Maria sente frio em pleno Seridó
Maria é só
Maria não canta, lamenta
Maria não dorme, se senta
E fica a contar as estrelas
Quantas são as estrelas do céu de Deus?
Maria não tem cheiro
Maria não tem canção de vida
Maria não sonha mais
Maria nunca sonhou
Maria não fala
Maria é calada
Maria tem calos
Nas mãos e nos pés
No peito e no coração
Maria tem calos em cada um dos seus vãos
Maria não tem identidade
Maria é Maria e só
Maria não tem passado
Seu presente é sem cor
Maria não tem futuro
Maria no quarto escuro
Maria que me da dó.
Radyr Gonçalves
Copyright 2008
11 de junho de 2008
Em Arês/RN

Madalena, eu vou embora
Espargi alegria nessa porra!
Entre os preceitos e os preconceitos
Entre cortinas e palcos
Entre saltos e os assaltos desta vida
Madalena, lá vou eu
Carregando na mala alegria
Na alma meu deboche colorido
Na áurea um riso frouxo
Nesta vida levando um presente
Um presente divisível
Madalena, sorria pra mim
Madalena, porra! Escancare vossos risos
Soltem as vossas frangas
Descubram a galinha que há em cada um de vós
Madalena, abraçai eternamente a rainha do deboche
Madalena, cantai, sorri, faça festa!
Madalena, abra suas eternas cortinas
Estendam o palco
Ensaiem os aplausos
Não meça os risos
Dercy está entre vós
Bando de porra, riam!
--Eu morri, mais tou vendo tudo seus fuleiros!
Podem tirar essas lagrimas dos olhos
Deixem de frescura, porra!






